junho 20, 2021
  • junho 20, 2021
Novidades

8ª edição – Conto: “A Casa da Pedreira” – Angela Moreira

By Redação no fevereiro 25, 2021
0 133 Views

A Casa da Pedreira

Angela Moreira

Na casa da Pedreira Santa Cecília morava o encarregado e responsável por ela. Lá aconteciam coisas estranhas, talvez não tivessem explicações pelos fatos ocorridos. Eu e meus irmãos às vezes dormíamos lá, eu mais do que eles. O encarregado era nosso avô paterno.
Um dia lá estávamos já preparados para dormir, quando percebemos que algo escorria do telhado e minha tia foi lá fora perto das bananeiras pegar um pano para limpar o chão.
Quando ela abaixou para pegar o pano apareceu um vulto branco, o que nos assustou muito. Eu queria gritar para alertá-la, mas a voz não saía. Por fim quando ela se levantou o vulto desapareceu. Ela entrou, limpou o chão e fomos dormir. Ao acordarmos durante à noite outro susto. A casa era de telhas e o que as sustentavam eram os caibros onde foram colocadas, só a madeira e as telhas. E ao abrirmos os olhos uma mão marcada de vermelho na telha, ao que tudo indicava parecia sangue. E quando amanheceu logo depois do café, meu avô subiu e verificou que realmente era sangue, mas parecia ser sangue de animal. Como não tinha como tirar aquele sangue, apenas trocou a telha e a guardou dentro de um saco plástico para depois tentar descobrir como isso aconteceu. Vovô saiu para fazer sua inspeção e dar ordem aos trabalhadores. ÀS vezes era necessário colocar as vacas e os bois em lugar seguro, porque eles costumavam pastar por lá. E assim o fez.
Na hora do almoço, vovô almoçou conosco, mas o ocorrido tinha deixado ele muito preocupado. À noitinha, depois da janta ficamos conversando nos fundos da casa onde tinha uma mesa de madeira e um banco grande, escutamos um barulho e vovô saiu apressado , corremos par a frente da casa quando escutamos um tiro, vovô estava de espingarda em punho, mas havia atirado para o alto e longe vimos um vulto correndo vestido de branco. Entramos e fomos dormir, mas preocupados com o ocorrido.
Dormimos á noite toda tranquilos e no dia seguinte tudo correu perfeitamente bem, mas ao entardecer deu uma chuva muito forte e o vento parecia que ia derrubar as portas e janelas da casa que eram todas de madeira apenas fechada com um pedaço de madeira.
Finalmente o vento parou e ficamos bem quietinhos embaixo das cobertas, mas parecia que tinha alguém andando sobre o telhado. Meu avô disse que se alguém andasse sobre o telhado cairia sobre nós, pois não aguentaria o peso de ninguém sobre ele, independente de ser um animal ou uma pessoa.
O barulho parou e estávamos tentando dormir quando um pedaço de telha passou raspando por nossas cabeças. Vovô disse que não dava para ir lá fora. Então, tirou o colchão da cama e o colocou no chão da sala. Dormimos o resto da noite tranquilos, mas pela manhã vovô foi providenciar outra telha para colocar no lugar daquela que tinha caído. Qual não foi sua surpresa quando viu que a telha já estava lá. Não entendeu nada, ninguém entendeu, pois vimos a telha cair e pelo buraco víamos o céu.
Na noite seguinte, outra vez a telha com a mão marcada de sangue. Meu avô perdeu a paciência e foi lá fora buscar a telha que tinha guardado no saco e ela não estava lá, no lugar tinha a cabeça de um frango que ainda corria sangue dela.
Foi até o galinheiro com seu lampião a querosene e encontrou duas de suas galinhas com as cabeças decepadas. Uma delas parecia que já tinha acontecido há dias e a outra naquele exato momento. Ficou revoltado e correu para fora do galinheiro e gritou bem alto: Aparece aqui se for homem, mulher, sei lá o que, pois eu vou acabar com você. Escutamos um barulho de um riso assustador. E vovô ainda disse que não tinha medo de alma penada. E aí da porta da casa vimos o vulto branco desaparecer no horizonte.

 

Deixo essa incógnita para vocês colocarem a imaginação no ar,  para pensarem quem será que fez aquilo? Por que fez? Será que terminou ou continuou a acontecer? Só posso dizer uma coisa, foi verdade. Eu estava lá.

Redação

O suplemento literário Araçá é um projeto da Revista e Editora “Entre Poetas & Poesias” e foi criado com objetivo de divulgar e propagar a arte a todos os cantos do Brasil e do mundo. Um periódico cultural que nasceu para tornar o cotidiano dos leitores mais suaves com mensagens líricas, filosóficas, entrevistas, poesias, artigos acadêmicos, debates educacionais, entre outros.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *