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CAPA – 5ª edição – Artigo: “Sobrevida e resquício familiar em De cócoras, de Silviano Santiago”

By Redação no outubro 16, 2020
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Sobrevida e resquício familiar em De cócoras, de Silviano Santiago

Carina Lessa

 

De cócoras é uma novela que partilha o último dia de Antônio, aposentado e solitário que encontra na morte da mulher um movimento de contemplação em exílio interior e no seu casarão. Os espelhos institucionais que controlaram a vida do personagem são reconstituídos na espacialidade dos capítulos intitulados: “Na cozinha”, “No alpendre” e “No quarto de dormir”. Ambientes que passam a temporalizar o dia de oito em oito horas, depois do esfacelamento do relógio objeto e institucional. Com isso, este ensaio pretende conduzir reflexões sobre “tempo”, “sobrevida” e “resquício familiar” na constituição de Antônio.

A primeira página do livro, seguindo uma certa tradição literária brasileira na década de 1990, nos apresenta um típico burguês:

Antônio de Albuquerque e Silva é hoje engenheiro aposentado de Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, o Dner.

Depois de bacharelar-se em engenharia civil pela Escola Politécnica do largo de São Francisco, Antônio submeteu-se a concurso público para o preenchimento de vaga no antigo Ministério da Viação e Obras Públicas, seção de Operações Rodoviárias. Foi aprovado em décimo primeiro lugar no concurso. Algumas manobras estratégicas do pai junto a amigos de políticos paraibanos conseguiram-lhe a nomeação. Em dezembro de 1945, Antônio tomou posse da escrivaninha de trabalho no sétimo andar do edifício Rex (…). (SANTIAGO, 1999, p. 9)

Na sequência, conhecemos uma breve história da mulher de Antonio, que começa pela descaracterização a partir do nome. Sabemos que se trata de uma nordestina, alagoana, filha única de usineiros que, ainda jovem, passava férias com uns tios no Catete – assim conhece Antônio. Era chamada de Rita por que fora nomeada por colegas de Antônio, como uma espécie de brincadeira, fazendo referência a uma personagem de filme italiano por quem ele se apaixonara. No casamento, depois de cortar o bolo, Antônio afirma que sempre será “fiel à sua amada e idolatrada Rita” (p. 21).

Antônio não percebera quando a esposa adoecera em função de uma mistura de responsabilidade recíproca na atividade patriarcal cotidiana: ele como provedor e ela com a discrição que se impunha à organizadora da casa. Ambos administrados pelo tempo mecânico institucional:

Quando adoeceu, a mulher de Antônio teve vergonha de dizer ao companheiro que tinha adoecido de doença fatal. Antônio via a mulher perder peso, perder cabelo, se descuidar da aparência e não pensava em nada, ou pesava em regime que era a moda segundo os anúncios de jornal. Via as olheiras tomarem conta dos olhos e a palidez, do rosto, e ficava horrorizado ao constatar como ela estava envelhecendo depressa. Antônio ficou sabendo que a mulher estava doente quando ela lhe disse que tinha de ser hospitalizada naquela hora porque já não suportava mais as dores.

– Que dores? – Antônio ainda perguntou. (p. 19)

Observemos o processo de esvaziamento das categorias e necessidades individuais, sempre moldadas pelo ambiente familiar desde o início do processo educacional. Antônio não conheceu e enxergou a mulher, dominou-se pelas convenções e discursos sociais necessários à figura feminina, sem diálogo e investigação, atribuiu-lhe ao corpo imagens que bem lhe convinha. O narrador sentencia a construção e transição de ambos os personagens no decorrer da vigência do casamento:

Era recatada. Antônio conheceu-a na praia de Botafogo. Ele era alto, ela baixa e magra. Ele tinha o rosto afilado, ela, o rosto redondo. Não era feia, não era bonita. Não tinha graça, não era sem graça. A Ritinha do Catete tinha uma vulgaridade domada que podia lembrar e não lembrar a vulgaridade domada que podia lembrar e não lembrar a vulgaridade indomável da Rita na tela gigantesca do cine Palácio.

Depois do casamento, ela foi perdendo cores e ganhando carne, se arredondando, até que ficou pálida e bem redonda. O corpo dela virou cópia ampliada do rosto. Com o tempo, Antônio foi ficando cada vez mais magro e branquicela. Depois dos cinquenta, o casal era o que era:  a gorda e o magro. (p. 24)

A partir desse fragmento, tendo em vista a importância do corpo na obra de Silviano Santiago, lembro-me de algumas reflexões de Judith Butler no seu A vida psíquica do poder, teorias da sujeição. No capítulo intitulado “Sujeição, resistência, ressignificação”, a filósofa traz para frente de cena um paradoxo Foucaultiano presente em Vigiar e Punir: a “subjetivação do prisioneiro”. Ela discorre:

O termo “subjetivação” traz em si o paradoxo: o assujeitamento denota tanto o devir do sujeito quanto o processo de sujeição – só se habita a figura da autonomia sujeitando-se a um poder, uma sujeição que implica uma dependência radical. Para Foucault, esse processo de subjetificação ocorre, de maneira central, através do corpo. Em Vigiar e Punir, o corpo do prisioneiro não aparece apenas como signo de culpa e transgressão, como a corporificação do proibir e a sanção para rituais de normalização; esse corpo é enquadrado e formado pela matriz discursiva de um sujeito jurídico. (…) Foucault sugere que o prisioneiro não é regulado por uma relação exterior de poder, segundo a qual as instituições tomam como alvo de seus objetivos de subordinação um indivíduo preexistente. Pelo contrário, o indivíduo se forma – ou melhor, formula-se – como um prisioneiro por meio de sua “identidade” constituída discursivamente. (…) A prisão, desse modo, age sobre o corpo do prisioneiro, mas o faz obrigando-o a se aproximar de um ideal, de uma norma de comportamento, de um modelo de obediência. É assim que a individualidade do prisioneiro se torna coerente, totalizada, que se converte na posse discursiva e conceitual da prisão; é como afirma Foucault, dessa forma que ele se torna “o princípio de sua própria sujeição”. (BUTLER, 2017, p. 89-90-91)

Os paradoxos, tão caros a Silviano Santiago, representados pela presença e ausência no corpo físico das personagens e no corpo linguístico do narrador, se relacionam diretamente com o processo de domesticação da existência denotados nos apontamentos de Butler a partir de Foucault. O corpo da mulher se expande obedecendo às agruras cotidianas, prisioneira ao modelo de obediência conjugal. É interessante como o narrador corporifica o tratado social investido da psique dos personagens, ora da mulher ora de Antônio. Vejamos o fragmento a seguir:

Antônio e a mulher viviam em harmonia por causa das boas maneiras de que ela se valia para dar início às atividades rotineiras e a dois do casal. Se dependesse só da vontade dele, caberia sempre a ela a primazia do chute inicial em qualquer das três refeições diárias.

Ela declinava, olhando para ele:

– Comece você, meu bem – sussurrava, restaurando a boa ordem patriarcal na casa. As boas maneiras dela despertavam as boas maneiras dele:

-Você, primeiro, meu bem.

Se as boas maneiras da esposa incentivavam as boas maneiras do marido, serviam também para camuflar a ansiedade e a insegurança dele. Sempre serviram. Em todas as partidas do dia, realizadas na mesa da copa sob os olhos embevecidos da empregada, ela fingia que tinha ganhado de presente do marido a primazia do chute inicial. A gentileza feminina restaurava o equilíbrio, não deixando que as relações de dependência se invertessem. (p. 25)

O narrador desvela a manutenção constante dos signos linguísticos patriarcais que codificam a existência familiar do casal. A mulher de Antônio julgava, sem muita convicção, burlar as leis cotidianas. No entanto, no jogo cênico, o corpo da prisioneira mantém o modelo de obediência e, paradoxalmente, esfacela o poder da figura opressora. Antônio estava dominado pela “primazia do chute inicial” confirmada com a morte da mulher, na medida em que ele passa a ter dificuldades de iniciar as refeições. Será a partir da desconstrução do relógio institucional, desprovido das relações públicas e privadas que temporalizavam a própria vida, que Antonio reconstituirá os resquícios da primeira fase de vida familiar: a infância. O relógio está quebrado. Diante da maçã cortada em pequenos pedaços, ele divaga:

Pensa num relógio sem ponteiros e sem algarismos. Pensa numa ampulheta sem areia, num relógio de sol em dia de céu nublado. Antônio pensa numa noite sem lua e sem estrelas, num oceano sem ondas, numa praia sem banhistas, numa floresta sem animais e pássaros. Pensa numa floresta amazônica só de troncos de árvores sem galhos e sem folhas.

O relógio de Antônio perdeu primeiro o ponteiro dos segundos. Na repartição pública era medido em segundo após segundo pelo relógio de ponto. (…)

Depois da morte da esposa, o relógio de Antônio perdeu o ponteiro dos minutos. (…) Poucos meses depois da morte da esposa, o relógio de Antônio perdeu o ponteiro das horas. (p. 26-27)

Antônio distancia-se dos rituais previstos na sociedade e se entrega ao próprio tempo. Ele não pega a maça no escuro, ele já a tem cortada e observa o tempo oxidando e modificando as cores do seu interior – com a afirmação da ambiguidade no uso do pronome possessivo. Voltemo-nos brevemente à estrutura narrativa de A maçã no escuro, de Clarice Lispector, e às ponderações de Silviano Santiago em ensaio intitulado “A aula inaugural de Clarice Lispector”, para fazer refletir alguns aspectos fundamentais da novela ora estudada.

A família, como todas as instituições, se estrutura pela ordem da culpa. Alguém deve ser acusado. Há sempre um sujeito formulado por uma identidade única e reconhecível, demarcado pelo conceito. Clarice Lispector tem em sua inovação estética a ausência do nome nas relações, tal perspectiva se estende à novela de Silviano Santiago, na medida em que o narrador transita e demarca uma verdade sobre os sujeitos – aquela verdade jurídica evidenciada também no autor[1] – de acordo ainda com o pensamento Foucaultiano.

Em A maça no escuro, Clarice num ato extremo faz nascer um herói que teria assassinado a esposa. Ao fugir do crime, o personagem Martim, desprezando antigos valores, refaz-se como ser humano. Apesar de um evidente diálogo com a tradição bíblica, a autora abandona a ideia de julgamento e constrói um personagem aprendiz da observação do mundo. No contato com uma prima e uma cozinheira da casa na qual vai se refugiar, Martim descobre o prazer no intercambio inevitável e necessário às relações de poder, dominantes e dominados trocam de papel a todo instante – o que não acontecia entre a mulher (com traços de Macabéa) e Antônio em De cócoras, como bem observa o narrador. Além dessa trama ensimesmada no mergulho sobre a existência, metaforizada na maçã de formas distintas, o romance clariceano também é dividido em três capítulos e configura o trajeto de autoconhecimento do personagem central. Todos são concebido pelo ou no entrelugar do herói-vilão.

Podemos pensar ainda na concepção de tempo romanesco, na medida em que ambos, Clarice Lispector e Silviano Santiago, investem de formas distintas e inovadoras na construção da narrativa – abandonando os parâmetros antigos do literário. A nova arquitetura temporal justifica o renascimento de Martim e, ainda, o renascimento de Antônio, neste caso, paradoxalmente, um renascimento que concretiza no corpo a morte física. Cristã? Será? No ensaio supracitado, Silviano declara:

A ambição de Clarice Lispector foi a de inaugurar uma outra concepção de tempo para o romance (vale dizer de história, ou seja, de transformação e evolução do personagem): a do tempo atomizado e, concomitantemente, espacializado. (2008, p. 232)

Para reinventar-se, criar um novo tempo, Antônio distancia-se da história. Distanciar-se da história é estar sozinho, distante das performances discursivas, sempre prontas e reconhecíveis, que o encontro com o outro lhe oferece:

Se a maçã emprestar-lhe vida, Antônio vai caminhar até a sala, pegar o telefone, esperar o sinal e discar para bater papo com o irmão mais velho, o outro sobrevivente da velha família carioca.

O relógio de Antônio iria recuperar o ponteiro dos minutos.

Se pedir desculpas ao irmão mais velho pelas recentes e constantes grosserias e se, depois, der trela à conversa mole dele (…)

O relógio de Antônio iria recuperando pouco a pouco o ponteiro dos segundos.

Se o irmão mais velho de Antônio lhe disser pela enésima vez que se arrepende muito, que se arrependimento matasse, ele já estaria morto, se ele lhe disser que devia ter adotado um filho quando o médico lhe garantiu que ele era estéril e que o casal nunca iria ter filhos, e se, em seguida, ele perguntar ao irmão mais novo por que você não adotou um filho, você que também é estéril e que tem todas as qualidades morais exigidas para se adotar um filho – Antônio não vai ter a resposta para a pergunta. Não vai querer, como nunca quis, inventar uma desculpa qualquer para justificar a demência precoce de ser pai postiço de alguém.

O relógio de Antônio iria recuperar de vez os algarismos na linha circular do mostrados e ganhar direção. (p. 29-30 – grifo meu)

Associo aqui, à ideia de “sobrevivência”, a abordagem que Silviano traz para o conceito em Genealogia da Ferocidade, a propósito de Guimarães Rosa e a visão dos críticos em processo de domesticação de obras como Grande Sertão: Veredas. Silviano nos diz:

Reparem como os dois são iguaizinhos: o focinho domesticado do Grande Sertão: Veredas e a cara do crítico. Já doméstico, o animal parece zumbi. É zumbi. Perde a própria vida para ganhar a sobrevida como forma autônoma da morte do selvagem que é apenas impressa nele, passa a existir só nele. O doméstico (em crítica literária) é pulsão de morte: ressalta a qualidade fantasmática de monstro selvagem morto. A vida doméstica do antigo animal selvagem vira dependência da pulsão de vida alheia e humana, demasiadamente humana. (SANTIAGO, 2017, p. 34)

Reparem ainda. Ao pegarmos das palavras do ensaísta Silviano Santiago imaginaríamos respostas unilaterais, nós leitores amansaríamos o bicho para o pôr nas rédeas. Pensemos na atitude do crítico literário e pensemos na ausência da esposa (responsável pelo pontapé inicial). Em contextos distintos ambos correspondem ao mesmo processo civilizatório e/ou primitivo, a depender da escolha que se faz. Diante de um olhar civilizado e moral ou de relógio institucional, uma leitora encontraria rabicho patriarcal na atitude machista de Antônio ao longo do casamento. Necessitado, agora, de algo que o restituísse a (sobre)vida. Em contraponto, um olhar primitivo e imoral o levaria ao estado de morte revestido de vida.

Ao caminhar pelos espaços físicos da casa, o homem descobre caminhar para a morte. Todas as hipóteses levantadas pelo narrador em discurso indireto livre circulam entre os futuros do pretérito “iria/devia/iria” como possibilidades de domesticação lenta de Antônio já quase em estado selvagem. Em processo de abandono da história, o homem se retrai de tal forma a encontrar Toninho. O narrador se entrega à análise de Antônio menino que, na posição reflexiva por excelência, funde-se ao Antônio adulto em divagações sobre a constituição familiar e a temporalização da própria existência. De cócoras, debaixo da mesa que antes comportava os hábitos familiares, Toninho esconde-se sob o lençol onde jaz o corpo da mãe. Sua caixa sonora absorve todos os discursos do entorno, performando no corpo as futuras projeções da sobrevida. Antonio possui e não possui os resquícios da primeira família, as duas pontas se encontram e temos Toninho no corpo de Antônio. A infância de Toninho, manchada pela morte da mãe, é a origem e o fim dos seus dias.

Aceitar os argumentos do irmão o reconduziria ao relógio civilizatório. Beato lui? Se perguntaria a medida em que o corpo fosse reconduzido às antigas contingências da (sobre)vida? Antônio não assume atitude de (sobre)vida na fala do irmão. Não se deixa amansar. Preferiria um campo aberto, agradável aos olhos e ao relógio, tal qual na concessão habitual da esposa cotidianamente. Daquela forma, tal qual modelo de crítico oferecido por Silviano no ensaio sobre Rosa, encontraria um novo ambiente que o satisfizesse as necessidades vitais, agradáveis aos sentidos. Não seria um selvagem morto, esmagado pela pulsão de vida alheia, (re)constituiria a própria morada. Com desenvoltura, compraria um novo relógio que o configurasse um rosto jovem e originário.

 

Referências Bibliográficas

 

BUTLER, Judith. A vida psíquica do poder: teorias de sujeição. Trad. Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

LISPECTOR, Clarice. A maçã no escuro. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

SANTIAGO, Silviano. De cócoras. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

________. Genealogia da Ferocidade. Recife: Cepe, 2017.

________. “A aula inaugural de Clarice Lispector: cotidiano, labor e presença”. In.: O cosmopolitismo do pobre. Belo Horizonte: UFMG, 2008.

[1] Recomendo aqui a leitura de artigo recente de Silviano, publicado no Suplemento Pernambuco e intitulado “Denis Diderot, Hóspede de  Bougainville”, no qual o autor expande as ideias de Foucault em O que é um autor?. O artigo traz um novo conceito sobre a construção de autoria, a partir da ideia de “hospedagem”. A partir dele podemos refletir sobre a forte presença de Clarice Lispector e Machado de Assis no processo de elaboração da novela ora estudada. Pensemos também, como o artigo irá nos apontar, a importância do conceito de “suplemento”, tal qual cunhado por Derrida, no processo de composição da narrativa.

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