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5ª edição – Crônica: “Cuidado com a “ilusão de óptica””

By Redação no outubro 16, 2020
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Cuidado com a “ilusão de óptica”

O mundo virtual está tão repleto de redes sociais que às vezes parece que as pessoas estão esquecendo a importância da manutenção dos contatos sociais fora dos aparelhos. O “Touch screen” não deve substituir o toque na pele. Mas infelizmente parece que essa possibilidade de se “recriar” em outro plano tem sido bastante atraente e muitas pessoas utilizam esse espaço como um “universo paralelo” intangível aos problemas. Nesta outra realidade todos têm os melhores corpos, rostos, empregos e relacionamentos. Lá todos são corajosos, felizes e imponentes. Lá se pode falar ou fazer qualquer coisa!

Óbvio que essa é, além de tudo, uma visão distorcida da física quântica. A ciência se ocupa do estudo de universos paralelos há muitos anos desde que Einstein revelou e defendeu em seus estudos que o tempo não é uma coisa etérea, mas sim um lugar onde o passado, o futuro e o presente habitam o mesmo espaço em variadas dimensões. Enfatizando, assim, que o nosso entendimento comum acerca do tempo é apenas uma mera ilusão. Hoje, já se tem várias teorias que trazem argumentos sobre esse assunto. O Físico quântico Hugh Everett, por exemplo, nos traz a hipótese de vivermos em um multiverso e não em um universo singular. Destarte, toda existência seria então composta por uma superposição quântica de um número provavelmente infinito de universos. Claro que trago uma visão absolutamente reduzida sobre a temática que inclusive é bem convidativa, pois, o meu objetivo aqui é apenas pedir “licença” à ciência para mostrar como a sociedade contemporânea, presa a uma necessidade desesperada de fuga, parece dividir o universo em pelo menos dois: um virtual e um “real”.

Justamente o que parece ser a “válvula de escape” rumo à libertação tem funcionado mais como elemento que limita e aprisiona. O que deveria funcionar como alternativa de sociabilização tem funcionado mais como ferramenta para um maior isolamento social. E a quem temos iludido mais senão a nós mesmos?

Para fugir dos traumas que nos perseguem desde a infância, buscamos criar arquétipos para nos servirem como guia dentro da dimensão digital, pois como fora citado acima, a imponência e a perfeição instiga à adoração. Entende-se aqui, portanto, que as barreiras do campo mental foram destruídas, pois, divergente aos escritores de ficção, poetas e artistas do passado, que mergulhados na dor, tédio e melancolia criavam cenários fantásticos, para habitarem espaços mentais, testemunhamos, hoje, que o universo em que mantém a “Internet” como deusa suprema, desbrava e sangra sem piedade o campo material.

A vida aqui fora pode e vai doer às vezes, mas ela vai oferecer prazeres e felicidades reais. Todos temos defeitos e qualidades e isso que nos torna tão humanos, também nos torna tão especiais! Talvez fosse mais interessante reduzir as fugas para irmos mais ao encontro de nós mesmos e do outro. Se retirássemos as capas e as armaduras, desnudaríamos mais a alma e poderíamos sentir o delicioso encontro com a pura humanidade. É preciso, por vezes, estar off-line.

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Sobre a autora:

Luiza Moura de Souza Azevedo é Natural de Feira de Santana- BA, Enfermeira, Especialista em Saúde Pública. Psicanalista e Hipnoterapeuta. Mestranda em Psicologia e Intervenções em Saúde. Compositora e Produtora Fonográfica. Com cursos de Francês e Inglês avançados e Espanhol intermediário. Imortal da Academia de Letras do Brasil/Suíça. Acadêmica do Núcleo de Letras e Artes de Buenos Aires. Membro da Luminescence- Academia Francesa de Artes, letras e Cultura. Membro da Literarte- Associação Internacional de Escritores e Artistas. Doutora Honoris Causa em Literatura pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos. Publicou o livro: “A pequena Flor-de-Lis, o Beija-flor e o imenso amarElo”. Instagram: @luiza.moura.ef

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Redação

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