setembro 20, 2021
  • setembro 20, 2021
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5ª edição – Conto: “Antes que o mundo era tarde”

By Renato no outubro 16, 2020
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ANTES QUE O MUNDO ERA TARDE

 

Autora: Lívia Penedo Jacob.

Ilustração: Alexandre Guimarães.

Em homenagem a João Guimarães Rosa.

 

Não faz muito tempo que Oumuamua avisou, o grande granito.

Nós tentamos dizer a vocês. Mas, depois do massacre daquela tribo, perdemos a comunicação.

Vingança, o sangue pisado dos nossos antepassado africano. Qué o quê? Hum? Eu jogo os búzio pra tu. Em nome do planeta, planeta fome. Vai vendo. Miríade de estrelas caindo do céu anilado, a terra vinga, cobra. É cataclisma que eles fala.  Vossuncê. Hum. Filhinha sabe. Preto véio sabe. Ele falou faz tempo, meu pai Oxalá não nega.

Tá gravando? Carece queimar erva virgem, o pó. Como cês chama? Incenso. Vou dizer. Grava. Nada de ruim vai te acontecer, aqui dentro tu tá protegida. Tem Jesus menino, Mãe Maria e Xangô, o rei. A violência lá fora aqui já não chega.

Vírus é bom pra quê? Vírus é bom pra nada. Muda gente não, muda quem queria crescer, e só os que já estavam no caminho. Esses não precisavam de doença. O resto, vai se perdendo no álcool, no gim, no vinho e na cachaça. Deus esteja, pois Dele vamos precisar. E adianta, rezar na frente do caos? O povo se abeira. Doença de rico, alguém se atreveu a dizer. Bobeira, tem nada disso, a doença não vê dinheiro. Rico, se sofre mais, é porque não tem cotidiano de adoecer. O pobre tá acostumado, pra ele tem sempre cova rasa à espreita, pela má condição. Eu digo: favelado, quase sempre é a Morte que faz o parto; vez em quando ela esquece ou por conluio deixa o bebê crescer. Hum?

Se veio grã-fino aqui por esses dia? Çuncê pense, aos monte. Os que têm desprezo pela religião é os que mais vêm. Ojerizam, menosprezam, no fim nos batem à porta. Preto véio não nega nem os evangelista que outro dia atiraram pedra na nossa janela em nome de Deus. E se dizem cristãos. Eu deixo as porta sempre aberta. Cada um vai prestar suas conta no além-mundo. Há de ver.

O que quer que eu conte? De antes…. adiante? Pois sim, a dona, a da fotografia. Escute, depois de passada a grande epidemia, aquela foi a última vez que eu vi ela, toc-toc-toc, ouvi de longe o barulho do salto, tem gente que gosta de mostrar onde pisa. Mulher chique, loira, a maquilagem na cara toda, madama cheia das fineza. De princípio, dona não achava que existisse pandemia, cria na invencionice. Conversa fiada não mata só carambola, mata ser humano também, e no caso em discussão, matou uma criança de seis ano. Hum? Çuncê sabe dessa história por notícia e veio aqui por quê? Eu lhe falo. Garoto novo, foram tantos outros, mais um, menos um. É arrogância, né, filhinha? Pensar que ninguém mais sabe, que a morte pra gente não chega. A Terra é grande, mas é também uma ilha, diziam os antigo, com razão. Dona chorava, queria consolo, se sentia culpada. Coisa que não se explica é a morte, o resto se arremedeia. O mundo tem muitos perigo, então quem não confia que se confine porque a vida, afinal de contas, ninguém posterga. O lá não existe. É tudo aqui e agora.

Pois se assunte. A dona, essa mesma dos cabelos loiros cacheados, sentou aí onde menina-moça está, muito tempo antes. Daquela primeira vez, veio acompanhada de uma mocinha que lhe prestava trabalho. Meu avô perguntou: “Quer se consultar?”. Ao que essa respondeu: “Mas quando, meu senhor? Sou de Cristo”. Ela vinha, portanto, só pela outra, sem fé nem compromisso que não aquele imposto pelo trabalho. Moça preta, bonita. Humhum. Agora já não se pode dizer, os tempo mudaram. Nem tanto, porque tudo que fazemos deixa sua marca, e hoje vivemos dentro dos sulcos mal tapados de antigamente. Quando chove, a água cai, os buracos alagam e nós restamos atolados, vendo as casa desabar. Então, essa dona, as roupas de grife importada escondendo a cicatriz da alma. Naqueles tempos primeiros que ela apareceu, queria encomendar um trabalho, emoldurar marido, coisa complicada, amarração de baixa frequência. Pai Joaquim disse: “Isso não faço, deixo pros falsos profeta”. Ela partiu como o vento, filha de Iansã-velha, muito sabida que era de tudo, os ouvidos moucos, o coração com muita raiva até de eu.

Çuncê conhece moda antiga chamada “Canto de Ossanha”? Composição dos homi douto sobre os orixá. “Quem diz que sabe, nada sabe”, é o que conta a música, só que em letras lavradas. E não era isso que falavam os gregos antigos: “Só sei que nada sei”? Não desprezo os vários oráculos, nem as religiões das outras gente, porque existe um lugar no universo onde tudo converge, até as divergências. Coitado de quem cai nos contos dos vigários vigaristas. Os que olha com suspeita pro jeito que cada um ganha expressão nas palavra. Ignorância! Esses precisa de estudo. E os homi inventaram vacina contra o vírus da arrogância? A gente que espere! Eu sou sobrevivente de todo tipo de guerra; quem destila desprezo não nego nem ligo. Se quiser, bem, se não quiser, berêm. Acaso o povo soubesse que sob o chão por onde caminha estão as pegadas dos morto… Pudessem ver o sangue e os ossos tragados pela terra. É isso que deixa ela vermelha e quentinha… que ninguém nunca não saiba. Deixa estar.

E a dona loira? Reapareceu pouco tempo depois daquela negativa, coisa de uma semana. Os olhos azul reluzente, cor da safira. Ela se ria. A empregada a tiracolo, de cara amarrada. Vinha junto por quê? Escravidão acabou fazia tempo, porém deixou mil rastros. A ignorância da alma é uma onça má que fareja as pegada dos piores sentimentos, tornando o homem seu escravo. Como lhe comentei, sempre vivi sem chave na fechadura, coisa que aprendi com Pai Joaquim, embora aqueles fossem tempos mais pacíficos. Sigo a tradição à risca. Há quem indague – “Deixar a porteira escancarada, meu avô?”. Eu vejo bravura em quem comete covardia contra os véio, pois, a não ser que o indivíduo se mate ou morra cedo, por obra de destino ruim ou acidente, não demora e chega a decadência do corpo dele, e com a fraqueza dos músculo e osso, se fortalece a memória de todos os erros. Aquele que com ferro fere… um dia se ferra! É dito!

E minha memória não se orgulha de ter visto a mulher loira voltando revoltada, em cima dos salto, cheia de empáfia, toc-toc-toc. Nada do que eu lhe conto, eu posso desver. “O senhor é um salafrário” – disse ameaçando o véio – “Está morto e esqueceu de deitar”. Nos meus óio de menino, calei-me e admirei a retórica corroída. Pai Joaquim não disse palavra. “Que ela se despeje” – ele depois me disse ter pensado. Quem ao outro acusa, se confessa, isso é fato. Ela falava tanto de si mesma, o dedo em riste, as unha presa na garganta do vô. Perdi o ar. “Preto nojento, velho maldito!”. E você pensa que silêncio é sintoma de sabedoria? Equívoco. Se calar pra ouvir o silêncio da própria cabeça é luxo que só vim a conhecer tempos depois. A covardia, a cumplicidade e até a falta do que dizer se expressam na ausência de palavras. No meu caso, virei medo. Eu e Pai Joaquim repousávamos no mesmo vazio da impossibilidade de qualquer reação. Da parte dele, se sobraçava no terror que inspirava as cadeia de idos tempos, a visão dos soldado, o poder do dinheiro… E eu, na minha meninice, me solapava numa parte oculta do quilombo, vendo sem ser avistado. Olhava sobretudo e com especial interesse a mocinha que a acompanhava, igualmente muda, a pele morena fechada, macia, o suor nela brilhando. De súbito, foi essa mesma que se desmanchou em mórbida gargalhada, como que possuída, embebida do que a religião deles chama de demoníaco. Parecia gozar do espetáculo, das unhas da mulher patroa cravadas na garganta do Pai.

“Tem precisão da senhora me sufocar?” – ele então perguntou, rompendo o silêncio, o corpo já atirado contra o chão de barro do terreiro, no centro do barracão. “Todos os santos tão vendo” – disse. “Tanto melhor que assistam sua vergonha” – a dona respondeu, um riso em coro, a gargalhada da jovem acompanhante sobressaindo. “Pois ouça, mocorongo, fui em outro sacerdote, que me fez fiado. Agora tenho casa, carro e marido. Ninguém mais me derruba, nem mandinga forte”. A pessoa veio para se exaltar, a se aparecer, pensando que o umbigo é o centro do planeta. Meu avô nada falou pelo ultraje, a humilhação, a cara enfiada na terra. Hoje, quando penso na mãe de todos os santos e rezo, voz dela vem forte, revelando: “E as gente na igreja a pedir tudo isso, rezando a senhor Jesus Cristo?”. Só depois de maduro entendi o que vi, a outra moça magrinha se sacudindo enquanto curtia com o véio, devia almejar o mesmo, orando em estribilhos suas ladainhas cristãs muito prósperas. Até que Pai Joaquim perdeu as estribeiras, gritando bem alto, uma voz que não sei de onde tirou: “A senhora vai ficar pegada em tudo que conquistou, acredite e faça bom proveito”. Ela não entendeu, pensou que ele lhe atirava alguma praga de urubu. Caiu fora, ainda teve tempo de dizer: “Maluco, esclerosado”.

Tudo isso, ainda não tinha vindo a epidemia. O tempo corre depressa e antes que o mundo era tarde, foi assim que aconteceu. Daí, veio a doença invisível, coisa-ruim trazida do estrangeiro. Quem haveria de supor? A culpa é sempre do outro. As pessoa morria sem aviso-prévio e até bebezinho foi parar direto do útero no buraco fundo, os pais caindo no abismo, os verme e os miasma, do pôr-do-sol ao amanhecer, as sepulturas sem flores. Logo, nem caixões, nem túmulos, nem lágrimas. Os coração ressequido. O mundo podia parar, coisa que por ignorância se desconhecia, e que devia ser guardada, lição valorosa, mas o povo esqueceu. O senhor do tempo não depende de ninguém, ele só zomba de nós.

Meu vô com a cara pregada na lama, feito faz os caranguejo, naquele dia da maior humilhação. Hum? A loira orgulhosa, eu soube, se chamava Laurinda. Fez feitiço para um tal coronel Aloísio Figueiredo, dono de muitas propriedades, coisa a perder de vista. Ela o queria, já viúva que era de Manoel Fernandes Caiado, sujeito certa feita milionário graças aos negócios escuso que fazia no cassino, então ilegais no país. Pois o Caiado tinha uma amante, Elizete, mulher de senador, e acabou morrendo de morte matada, decorrente dessas circunstância, causo deveras comentado à época, na capital.

O coração do véio anda cansado, menina moça. Tome um gole d’água. Tu num bebe? Pois devia. A luz se acende ali. Hum. Conhecia não? Sistema antigo. Tempo do vô luz elétrica não tinha. Nós saía pra fora e via as estrela, o céu muito limpo, a lua tomando a noite toda inspirando lobisome. Havia quem dissesse. O que por muito tempo foi atribuído a um sujeito esquisitão de nome Quirino, que vivia a perquirir por ouro nas banda das terras alta, dizia ele: “Lá tem, é certo, foi enterrado por uns pirata”. Bobice, mas de criança acreditava porque queria, e não por inocência ou ignorância. Pensar no baú cheio de fortuna me distraía dos afazeres pesados da roça e das formalidade da vida. Andei cada vez mais aproximado do tal Quirino e de seus devaneios, as unhas dele sempre por fazer, grandes e sujas. Curtia dormir no galinheiro, apenado, verdade seja dita: normal das ideia o sujeito não era. E contava histórias de lá da Inglaterra, de um náufrago qualquer que ficou perdido numa ilha, fazendo amizade com um índio de nome Sexta-feira. De tanta divagação, o próprio Quirino passou a ser chamado pelo povo de “Sexta-feira”, que era maneira de dizer que ele não batia bem. Çuncê pense. O homem podia ser bom pra falar mentira, das coisa que ele lia nos livro, mas contava tudo muito bem, fazendo parecer verdadeiro. Até isso é dom. Deus não deixa ninguém desprovido.

Certa vez, mãe me disse: “Não gosto de você junto do Sexta-feira”. Até hoje não sei por quê. Mas entendo: ele andava muito maltrapilho, nos andrajo, sempre embalado em molambos. Minha mãe que trabalhava toda semana em casa de família, quase não se via. Então adiantava ela dizer? Eu colado no avô, de bem cedo aprendi a plantar e entendi a linguagem das erva. “Meu neto tem poder de cura” – ele certa vez anunciou, junto aos outros ancião, que nasci pra ser feiticeiro. Pai Joaquim não via mistério no Quirino: “Se gosta, vá ter com ele”, até que fatos de pouca usualidade desencadearam a suceder, uma criança amanhecendo morta na vizinhança, depois outras tantas mais, com sinais claros de violência, sempre na lua cheia. Era o Sexta-feira, começaram a dizer, acusar sem provas, ele cada vez mais enfurnado no galinheiro, afundado nas penas dos outros, nem nada dizendo. Ficou amuado, chateado mesmo com aquele tanto de suspeita. Enquanto chamavam ele de lobisomem, creio que não ligava, fingia desconhecer os rumor e a fama de figura folclórica. Quem sabe se envaidecia, por despertar a curiosidade do povo em conhecer? Mas matar criança para satisfazer seus apetites era acusação que o punha a risco, podendo ser até vingado, ainda que sem comprovação.

Pois a moça grã-fina, a tal Laurinda, viúva de Manoel Fernandes Caiado, não sabendo desse lobisomem, depressa logrou intento, se casando com Aloísio Figueiredo, o dono das terra. Eles vivia pras banda da capital, muito raramente aparecendo por aqui, a não ser por ocasião de fazer cobrança, e no caso dela, atrás de feiticeiro, embora nos domingo assistisse à missa. Essa Laurinda quando enviuvou, embora o Caiado tivesse sido milionário, deixou inúmeros endividamentos, levando ela a criar o filho sozinha e em grande desespero. Se amasiou com o Figueiredo, se tornando dele amante, coisa que era sabida das gente da região.

Feiticeiro que ela procurou trabalha sozinho porque os ancião nunca concordaram com seus feito de proceder por maneira própria, sem respeito às tradição. Seja como foi, mulher de Figueiredo apareceu mortinha, supostamente vítima de emboscada, armada por inimigo do marido. O coronel não se intimidava, tanto que na semana seguinte encontrou os culpado e mandou matar os quatro. Enterrou-se os corpo, ninguém conferiu nada, e logo Laurinda estava mudada na casa do Figueiredo, com o garoto à tiracolo. Filhinha não acredita feitiçaria? Tanto melhor a çuncê, que a coisa nem pega. Mas o coronel, a muié e a tal Laurinda acreditavam. Ao que aparentava, ele  não podia ter filho, era estéreo, e logo calhou de botar o filho da nova esposa como se seu herdeiro fosse, deu-lhe posses, novilhos.

Cigarro já vem assim enrolado. A luz, filhinha. Na esquerda. Hum. Hum hum. Aqui, naqueles tempo tinha muita quenquém, tanajura, tatu, paca… até da onça, me alembro. Ela desceu do mato, ocupando o centrinho da vila aqui da aldeia, onde havia um mercado. Gente ficou amedrontada. Parece que onça descobriu que as pessoa tava enfurnada em suas casa, sem poder sair. A tal pandemia. Bicho sabe coisa que nós nem não desconfia. Onça veio sondar, se ria matreira… espiava por entre as janela, coisa que ninguém viu nos primórdios. Até que se deitou nas escadarias da prefeitura, povo disse que com a barriga abaulada, prenha de tanto comer. Por lá ficou até o dia amanhecer, quando desapareceu. Podia ser um aviso, pensaram pela supertição. Coisa ruim que os homi da câmara tinha feito. Onça? Hoje tem mais não. Tudo transformado em terno e gravata. Vírus é bom pra nada, só tirou toda a sujeira de debaixo do tapete. E quem teve olhos desconhecia algo? Qual quê!

O tal Aloísio Figueiredo aqui aportou, de motorista particular. Limpava os sapato com uma flanela constante, de modo que o povo se ria de surdina. “Afrescalhado” – meu avô exclamou ao longe sem quase nada dizer, o tom de voz dele sempre muito baixo. Figueiredo não ouviu. Que queria ele? Pai Joaquim não sabia, mas porém andava desconfiado. Dizia conhecer a fama do coronel, homem de moral necrosada. Ele veio muito cheio de risos e salamaleques, como vinham e vêm os que querem voto, apoio popular. Sondando feito cobra, que só espera o momento certo pra dar o bote. Pasme: tava junto aquela mocinha, a empregada. Foi quando soube seu nome: Malvina. Nada de peste ainda acontecer, isso foi coisa de ano antes, eu devia ter os meus cinco ou seis. Mulher tinhosa, que àquela altura, coisa de menino. Meu coração disparava ao ver – que passava? Eu via ela cheia de bondades, o livro preto na mão, a barra da saia bem funda. Muito novinha, de menor, isso é fato, mas maturada no mal de que se ocupava.

Meu véio sentado no tamborete, o fumo de rolo, até que o dito se aproximou. Pai Joaquim não se dava ao trabalho de responder às pergunta do doutô, parecia ter pego quizila. Ora dizia sim, ora dizia não e só. Hum. Humhum.

Ele tinha o dom do silêncio, sempre acocorado em poucas palavra. Quando o coronel se virou e partiu naquele carro imenso, a empregada a tiracolo, o vô falou: “Chame lá fora o Antônio, filho de Sebastião”. Telefone aqui dentro tinha não. Nem sinal. Seu Tião, ele mesmo falou com o filho, que coisa de três dias apareceu. O moço era doutor na capital, advogado. Não sei o que tinham conversado, só alembro da cara do jovem, pálido nas expressão. Quanto ao coronel, Pai Joaquim dizia – “Tão cheio de dedos e de não me toques”. Deveras.

Figueiredo passou a vir com boa frequência, se inteirando de tudo. Embora fosse difícil saber o que de fato ele queria, a Malvina sempre na boleia, aos poucos se engraçava com os rapazote do quilombo sem jamais lhes dar o que queriam. Cheia de peçonha, bem instruída, eu criança massacrado no ciúme sem saber bem o que fosse aquilo. Vô Joaquim de tudo dava fé, sem se abalar porque era coisa de criança, do mundo brotado na minha cabeça. Deixa estar que passa – ele repetia com segurança, desejoso de que o coronel menos e menos viesse, quando o homem passou a vir toda semana. E eu, rezando pelo coronel, pedindo aos orixá, Deus o proteja, só porque eu queria ver a menina. Garoto bobo!

Fui me afastando mais do Sexta-feira, e ele se empoleirando nos galinheiro de que cuidava. Gente das vizinhança pagava ele, tinha fama de saber fazer galinha dar ninhada, os pinto vingar ou não na dependência de sua vontade. Devido à má fama de lobo guará das lua cheia, foi viver para depois da Bocaina, afastado, por certo cansado das acusação infundada e do povo mal agraciado, desavisado mesmo, que lhe virou a cara por preconceito. Digo por mim, que preguei orelha na fala dos outros menino – “Ele come criancinha!”. E que jeito se dá ao medo, se não tapeando, forjando estar fora da gente, jogando nos outro? Pai Joaquim tinha o silêncio por companheiro e por isso nunca estava sozinho. Já eu, vivia atormentado por tantos barulho que me assolavam.

Um dia, o pobre Quirino, por premências, retornou ao galinheiro que outrora cuidava perto do quilombo. Tinha esquecido por lá seu título de eleitor. Dormiu naquela instância, só partindo pra Bocaina na manhã seguinte. De tarde, tinha corpo de menino encontrado no mato. Havia de ser ele, povo deu a falar, que se o Quirino voltasse, era logo degolado. Pelo Divino Pai Eterno que ele nunca mais voltou. Deve de ter sabido.

Até que eu mesmo, sendo menino, descobri por meus próprios meio quem era o lobisomem que andava a matar criança. Não achei culpado por esperteza, senão que por tolice da infância. É que o Quirino pouco antes de mudar pra Bocaina, tinha achado uma papamé na instância onde trabalhava. Mataram a mãe e deixaram os filhote, do qual dois morreu, restando um só, mais forte e valente, que cismei de cuidar. Cego ainda era, até logo crescer e enxergar. Vô não tinha intento de criar, e passados três meses, me mandou botar no mato. “Irara é bicho agressivo” – dizia. Fora que era sabido que comia galinha e que fazia bagunça na horta.

Pois fui. Cruzei até o outro lado da vila, na época chamado Boqueirão, o papamé numa gaiola pequena. Soltei ele e subi no alto da mangueira, modo de ver melhor se sobrevivia. Sobreviveu, não sei o quanto. Peguei mania de fazer arapuca pra passarinho que Pai Joaquim me ensinou, mas depois ele sempre mandava soltar – quem tem asa é pra voar, repetia. Eu punha no ar desgostoso, pra depois entender que a brincadeira era assim mesmo. Depois que papamé partiu, peguei a caixa dela e fiz arapuca. Cismei de voltar sempre ali, onde soltei a irara, no mato na beira da estrada, me perdendo nessas brincadeira de arapuca. Fazia isca boa e ficava bisoitando até curió mordiscar ou o petrim. Ave que gostava de ficar na beira do rio era o quero-quero, até que um dia veio corruíra, que raramente aparecia; olhei de perto, era igual uma alma. Coisa que nunca mais vi nessa vida foi corruíra branca. Piava tão desesperada, que logo a pus no chão. Bicho dava espanto! Ela subiu, subiu, subiu, deu longe, pro norte. Acompanhando o deslizar da ave, avistei vindo o filho de Rosalinda, Marcelino, garoto mais velho que se divertia batendo nos pequeno. Apertei os óio pra melhor ver. Não acreditei. Fiquei escondido. Ele estava de mão dada com Malvina, ela bem aprumada. Traíra! – Pensei, e contrariado voltei pra casa correndo. Justo quem, menino seboso que eu tão detestava! Que se fossem! Dia seguinte, Marcelino foi considerado desaparecido.

Me senti apeado. Agora sabia – Malvina era o lobisomem, os crime começaram a ocorrer depois daquele dia, ela rindo do vô, e nunca mais deram a parar. Talvez eu merecesse castigo, pensava, por ter gostado tanto em segredo de quem maltratou Pai Joaquim. “Que tem?” – ele me perguntava, estranhando meu movimento. Não sabia contar, não queria magoar o véio. Caí de novo no silêncio. O povo jamais pensando que o crime pudesse ser feito por uma mulher, ainda mais como aquela. Sereia. Terminei ensimesmado, mais amuado do que bicho da ostra, e corri toda tarde até a barra funda, onde olhava o rio assoriado, o tanto de detrito de gente jogando nele.

Café tu quer? Antigamente, ainda se adoçava com rapadura, pelo menos aqui, nas zonas de fazenda. Não adoça? Dizem que faz mal, mas sempre adocei e ainda estou de pé, a memória encontrada. Tem coisa que máquina não guarda, uma delas é o que a gente vive. Pode ter imagem, registro de notícia, mas não tem corpo, espírito nem ideia. Medo, só sabe quem vive. E naquele dia, sentado na barra do rio, sem viva alma por perto, vi o rosto iluminado de Malvina, parecendo visagem, bonita que só, sentou do meu lado, me reconhecendo, puxou papo. Quando dei por mim, estava andando com ela na estrada, as mão entrelaçada, o coração partido. Até que parou um carro do nosso lado e abriu a porta. Eu, num átimo, empurrei ela pela ribanceira e disparei, fugido. Ainda tinha visto, de relance, o rosto dele, o Figueiredo, dentro do automóvel. Pensei que alguém me alcançava, só que não, porque virei lança, okê arô! Parando adiante, me refiz até chegar de volta ao barracão.

Na minha cabeça pequena, tudo fazia sentido. O lobisomem era três: o coronel, a mocinha e o motorista. Estava decidido: ia contar ao Pai Joaquim tudo que sabia, pôr fim no mistério. Acontece que, quando lá cheguei, o véio tinha o semblante desvanecido, o sobrolho cerrado, mirando chão do terreiro. Entrei e não disse palavra. Ele serviu a sopa, esperou a coisa esfriar na minha barriga pra evitar gastura, e com ar muito sério falou que iam nos tirar as terra. “Eles quem?” – eu tentava entender. “Os de seu Aloísio, o coroné”. O homem tinha vindo direto das Gerais, onde tinha negócios de gado, e decretado, papel da justiça na mão, que era tudo dele. Pois ia pegar o terreno e construir aqui um conjunto de prédios espigado, que nomeou Cruzeiro, projeto aprovado pelo governo. “Ô vô, consultou Antônio, filho de Seu Tião?”, sondei, lembrando que o moço doutor era considerado salvador entre os nossos, como aqueles heróis que eu via nas revistas de quadrinhos, embora ainda não soubesse ler. O véio não falou nada, emudeceu por longo tempo, fez o chá que todo dia tomava pro fígado, pra no fim dizer: “Consultei os orixá. Pode ser que o coronel nos leva. Mas tem uma paga muito grande a ser cobrada que por nós intercede. Evém muita coisa ruim pela frente. Nosso maior amigo é o tempo”. Depois disso, ele se deitou, me deixando amortecido no seu tortuoso silêncio, das coisas sobre as qual não se pode dizer.

Passado um mês do desaparecimento, o Marcelino voltou. O garoto tinha sido encontrado em outra cidade, estropiado na mata, pensavam estava morto. Não se lembrava do próprio nome nem sobrenome, ficou com a mente vazia por consequência do trauma. Quem achou foi um caminhoneiro. Quando parou na estrada para urinar, viu um corpo na ribanceira, acionando as autoridade. Levaram ele pro hospital municipal, em frangalhos. O caso causou comoção, havia quem desejasse chamar a imprensa, levar o caso à público, mas o delegado local não deixou porque Marcelino era de menor, o crime havia sido grave, estupro e tentativa de morte, que era melhor esperar que se lembrasse. Feito.

Ver o Marcelino foi como avistar fantasma ao longe. Um outro ele, bem diferente daquele que foi. Eu que odiava tanto o garoto de princípio… pensei que tinha posto responsabilidade na coisa, por sentimento. Até que Pai Joaquim me explicou que existe o ódio normal, por justificação do mal que causam à gente, e o ódio pisado, descontrolado, sem origem, que move o homem rumo ao incerto. Com o amor e com o ódio é preciso aprender a conviver. “Quem mais precisa de remédio é o sujeito que fez isso com ele” – disse o véio, contrariado. Entendi que nossos desejo é cheio de limitação imposta pelo destino. Pela querência do vô, o tal coronel tinha batido com as bota muito antes. E eu sabendo de tudo, do modo de proceder, nada disse ao Pai Joaquim sobre o sucedido, eu correndo pelas várzea, a Malvina atirada na lama…. deixei tudo fermentando aqui dentro, até explodir.

Um dia, brincando na rua, ouvi duas garota se rindo, a Jéssica e a Selminha:

‒ Quem tem cu tem medo, cuidado com o Figueiredo!

Fiquei duro como coqueiro, tentando entender se elas sabia. Ignorei. Até que entendi que aquilo tinha virado bordão. Já era do conhecimento de todos que o coronel mais a Malvina fizeram maldade com o Marcelino, ela sendo usada de isca.

‒ Quem tem cu tem medo, cuidado com o Figueiredo!

As duas falaram outra vez, dia seguinte. Eu ri, apesar da seriedade do assunto, acho que ri de nervoso, mas ri muito e pra caramba, porque se tirava sarro era do Aloísio e não do Marcelino, coitado. Pai Joaquim, sempre sério, não ria nem dessas brincadeira, pensava que o tal coronel podia botar vingança maior se ouvisse tudo aquilo.

Eu cheguei no barracão e lá estava ele falando com o doutô Antônio e o pai desse, o Tião, os três cheios de gravidades. “Por que as muié não veio?” – sondou o véio. Ao que os outro disseram que andavam ocupadas, Dona Roseli está grávida, a Marta, a mãe hospitalizada… e por aí o assunto se ia. Entendi, finalmente, que muitos menino escaparam da armadilha do astuto Figueiredo, a coisa era sabida.

‒ Quem tem cu tem medo, cuidado com o Figueiredo!

Era Lucas gritando lá fora, sobrinho do doutor Antônio, os três pedindo seriedade. O advogado tentava reunir as provas legais, ia fazer depor o médico, o caminhoneiro, pessoas da outra cidade… falava de tentativa de ocultação de cadáver porque julgavam o Marcelino morto quando ali atiraram. Tinha amigo promotor que faria toda a acusação, tudo de graça, que ninguém se preocupasse. “A justiça dos homi” – o véio dizia, desacreditado, porém sabendo da importância do processo para que a ocupação das terra demorasse. “Há de ver” – ele falava – “muita coisa ruim está por vir”, e se calava súbito, pondo todo mundo repousando nos mistério que só ele sabia.

O processo rodou, não deu em nada. O juiz falou que Marcelino não podia ter certeza, faltavam provas concretas, testemunhas… o coronel estava na capital, tinha provas… enquanto isso, o processo de apropriação das terra avançava de vento em polpa. Até que veio a peste, o restante çuncê sabe…

Olha, a luz apagou agorinha mesmo. É pra lá. Na direita. Isso. Hum. Café bom esse das Gerais, num acha? Eu vi. Sim. Foi isso. Cem anos atrás, pouco mais. Quem haveria de supor, uma crise como aquela se sucedendo de novo agora? Mas a terra é cíclica, o planeta. Puseram máscara até nos animal, os mais precavido, pois não se sabia quem estava contaminando quem. E no começo, vinha os número de fora, morreu tantos mil na Espanha, na Itália… O povo muito comovido, rezava, pelos irmão que morava lá. Quando a doença chegou devera por essas banda, ninguém já não se comovia. Punha os corpo em vala comunitária, parece que secaram as lágrima porque nem ir enterrar se podia. Morreu até estadista, general, entenda, a doença se espalhou de tal forma, e uns tanto dizendo que era besteira, só uma gripe boba, argumentos sem lógica. Se há quem pense que a terra é plana! Nada daquilo foi um pesadelo, pois durou muitos meses e posso dizer, anos, até que tudo se resolvesse. Quem acreditava que o mundo pudesse parar? “Oumuamua”, Pai Joaquim falou, “o grande granito tá circulando a Terra”. Ele sabia o que ia acontecer, só precisava ganhar tempo – “O mundo vai parar” – e eu sem entender. O vô não quis dizer parar nesse sentido de nunca mais girar, mas era o fim de uma forma de fazer política e começo de outra. Mas no fundo, no fundo, mudou? Talvez pra pior. Quando os homi guerreava na ignorância, havia um perdão possível pros ato. Ruim mesmo é saber que as disputa prossegue independente do contexto, por gosto e só. Ave Maria, isso dói!

Sempre tem os que se locupletam com a desgraça alheia. Daquela vez não foi diferente, houve quem enricasse, vendendo aos outros desespero. Fora os golpe, desengano. Até a desgraça tem sua bonança segundo Pai Joaquim, pensamento acertado, tanto que o processo de desapropriação demorou a correr. A justiça entremeada pela pandemia, o povo sem direito.

O dia que a Laurinda apareceu aqui pela última vez, os óio em desespero, se ajoelhou em frente ao véio, as mão posta nos joelho. Implorava perdão. Pai Joaquim mandou que se sentasse, se compusesse, deu-lhe água. Ela veio sem aviso e Malvina, bem me alembro, não vinha mais ela. Confundiu o vô com padre, fez foi confessar. Joaquim ouvia, bom que era de escuta, a dona mergulhada em lágrimas, os soluço descontrolado. Marido tava enjaulado. Se inteire, o Figueiredo fez foi muita maldade com o filho dela que tinha minha idade, até ponto de matar. Se existe belzebu, nasceu incorporado naquele homi, o corpo posto no mundo sem coração nem afinidades. A coisa toda do crime aconteceu durante a pandemia, nós tudo isolado, trancafiado cada qual em seu reduto. “E Malvina?” – o vô perguntou. Malvina foi presa. Laurinda se justificava, os fio de ouro louro branqueados na cabeça, a mirada vaga de devaneios, parecia não dizer coisa com coisa, mas no final tudo fazia sentido. “Aceite Malvina de volta” – a dona dizia, eu sem entender que era. Só então soube: Malvina era minha prima, irmã de minha tia e filha do primeiro marido de Laurinda, o tal Manoel Fernandes Caiado. Foi pra sempre escondida, pela vergonha da família que ele tivesse filha com empregada.

Vivemos outra epidemia, quem saberá os crime que acontece dentro das casa? Afora as guerra. Situação como essa aflora amor e ódio, às vez até tudo ao mesmo tempo. Eu soube que Malvina alcançou logo liberdade. O vô nunca quis ela de volta, não pelos riso, deboche ou cumplicidade com o coronel, e sim porque não acreditasse em outra coisa que não na liberdade. “Quando ela quiser, que venha”, disse ele pra Laurinda. Essa, em muitos pranto, se achava culpada de tudo, a morte do filho, tinha vergonha da humilhação imposta ao Pai Joaquim, perguntava o que fazer para remediar todo o mal. Se arrepender não é reparo, pois Deus vê além dos tempo. “Çuncê vem pra buscar consolo próprio e por tanto se olhar no espelho, deixou tudo no redor escalavrado. Quando vier, procura o consolo do próximo”. Dizendo isso, Pai Joaquim, corajoso como só, se levantou na maior calma e se retirou, a mulher no meio do terreiro ajoelhada; feito estivesse na presença de um santo, ficou com a cara atirada na terra. Sozinha, ela se levantou com dificuldade, foi embora e nunca mais voltou. O que deu de bom foi abrir mão de brigar na justiça pelas terra, deixando tudo como se fosse doação aos pobre.

E Malvina? Virou pastora, bem sucedida. Era boa de papo e por ser jeitosa de rosto, ganhou milhões. Carismática. Os fiel gostava dessa história, garota pobre criada em fazenda, filha da empregada que subiu na vida. Contar que era filha do quilombo ela nunca nem falou. Tem gente que acha que pra ser bom é preciso primeiro fazer o mal. Ou ganhar dinheiro. Besteira. Malvina na internet e televisão dizia saber fazer milagre, praticar cura. Pena não ter trazido solução pra epidemia, a tal Covid-19. Cada um teve que aprender a suportar na cabeça a sua própria coroa de espinhos. Antes, como agora, o povo duvidava. A própria Laurinda disse ao vô que de começo não acreditou, depois  preferia que o filho tivesse sido levado pelo vírus a ter morrido daquele jeito. Ela quis tanto aquele homem, o dinheiro, a carreira… pra depois ver que havia perdido coisa de maior valor. E as teoria estapafúrdia? Que era o 20 na frente do 20, 2020, dando duas vezes o dois, quatro, quarentena. Eu rio.

Pai Joaquim falava de Oumuamua, o grande granito, que estava passando e que tinha passado cem anos antes, em 1918, levando até o presidente do país. Oumuamua, ele dizia, ia passar outra vez no outro século, a ver se os humano tinha evoluído, acaso não visse aprendizagem, as luz do céu ia apagar, como estão agora desaparecida. Preto véio sabe. O oscuro.

Nós queria ter avisado a ocês. Aquela tribo que eles mataram. Os últimos índio. Foi quando nós perdeu comunicação. A luz do céu, puf. Hum? Filhinha não quer jogar os búzio? Não importa que não exista mais futuro, existe ainda o presente, o que está por acontecer. Hum? Pai aqui tá caquético, mas ainda tem força de jogar. Às vez, antever é entender o agora e o além-mundo. Os passamento. Esse menino é meu neto. Çuncê gosta dele? Joaquim tem dom de cura, do preto véio. Nome dele não é em homenagem ao meu avô não, tava escolhido fazia tempo, por pai Oxalá, meu rei. Foi assim que tudo sucedeu, antes que o mundo era tarde.

Minha maior alegria foi ter minha mãe de volta, por conta da epidemia. Ela depois arrumou trabalho, mas passou a ficar mais, talvez por causa do causo do Figueiredo. Quem tinha filho mudou o proceder. E Marcelino? Não comentei. Virou deputado, casou, foi viver na capital. Se mal não nos fez, bem também não trouxe. Só sei que depois de ver ele estropiado, eu nunca mais quis armar arapuca pra passarinho, parei de achar graça. Pai Joaquim que tava certo: quem tem asa que avoe! Vai embora, filhinha? A porta está aberta, na saída çuncê só bate. E pega o lampião, segue com ele aceso. Hum.

 

RESUMO (SINOPSE)

Um homem de origem africana apresenta seu olhar místico sobre um período de pandemia e de outras desgraças que acabaram de se abater sobre o planeta. Durante as reflexões, memórias pouco agradáveis de sua infância emergem, levando-nos a questionar as fronteiras entre o início e o fim da humanidade.

 

Palavras-chave: ficção, literatura brasileira contemporânea, pandemia, afrobrasilidades, indígenas.

 

ABSTRACT (PLOT SUMMARY)

An African-Brazilian man sets down his view over an Era of pandemia and other disasters recently experienced in the planet. During his reflections, some unfortunate memories from his childhood emerge, making us questioning the borders between the beginning and the end of humankind.

 

Keywords: fiction, Brazilian literature, pandemia, Afro Brazilians, Brazilian Indigenous Peoples.

 

Sobre a autora: Doutora em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ), é professora de Português e Literaturas. Autora do blog Casbah: cidadelaliteraria.wordpress.com

Sobre o ilustrador: Doutor em Artes e Cultura Contemporânea (PPGARTES/UERJ), ilustrador e professor de Artes Visuais do Colégio Pedro II.

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Sobre a autora:

Doutora em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ), é professora de Português e Literaturas. Autora do blog Casbah: cidadelaliteraria.wordpress.com

 

 

 

 

 

 

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Renato

Graduado em Letras pela UERJ FFP. Pós-Graduado em Educação à Distância – Uninter. Atua como professor desde 2006 na rede privada. Leciona Língua Inglesa e Literatura em diversas escolas particulares e em diversos segmentos no município de São Gonçalo. Coordenou, de 2009 a 2019, o projeto cultural Diário da Poesia, no qual também foi idealizador. Editorou o Jornal Diário da Poesia de 2015 a 2019 e o Portal Diário da Poesia em 2019. É autor e editor de diversos livros de poesias e crônicas, tendo participado de diversas antologias. Apresenta saraus itinerantes em escolas das redes pública e privada, assim como em universidades e centros culturais. Produz e apresenta o programa “Arte, Cultura & Outras Coisas” na Rádio Aliança 98,7FM. Hoje editora a Revista Entre Poetas & Poesias. Contato: professorrenatocardoso@gmail.com

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