setembro 20, 2021
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5ª edição – Crônica: “Paradoxo da ilha”

By Redação no outubro 15, 2020
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Paradoxo da ilha
Altamir Lopes

Que viagem deliciosa!

Era tudo o que você esperava: você nessa lancha junto aos seus amigos, curtindo em um lindo e azul mar aberto, um sol delicioso. Você não imaginava que seria tão bom. Curtir a vida numa lancha completamente equipada, com todas as provisões necessárias para desfrutar esse momento tão especial. Praticamente um símbolo de uma vida de luta e conquistas. A sensação lógica e garantida é que agora é a hora de saborear a vida que pedira a Deus e que não se tem nada com o que se preocupar. Finalzinho de tarde… Noite caindo…

Entretanto, uma tempestade violenta começa se formar. Você e seus amigos dentro do barco começam a se preocupar bastante a respeito das suas próprias sortes. Não deu outra: em questão de minutos, o céu escureceu, o mar tornou-se ameaçador e o prazer de estar ali se transformou em desespero para voltar para terra firme.

Em manobras desesperadas, o capitão da lancha se esforça para aproximar a embarcação à margem do que parecia ser uma ilha próxima. Mas, inadvertidamente, o casco da lancha é violentamente rompido pelos pontiagudos recifes sobre os quais a nave é arremetida em função das violentas ondas.

Naufrágio. Barco em pedaços. Vidas que sucumbiram.

Com grande esforço você nada até a margem dessa Ilha. Ofegante e desesperado, num misto de cansaço e preocupação, luta por sua vida.

Onde estão os outros companheiros? A noite está chuvosa e tudo que você consegue ver são alguns destroços do barco, repousando na margem juntamente com vários corpos das pessoas que, poucas horas atrás, se divertiam com você num derradeiro desfrute de vida.

Você desmaia de cansaço, deitado na areia da praia, enquanto chove.

A noite passa.

O calor escaldante e reenergizante do sol da manhã lhe desperta.
Os primeiros raios solares queimam sua pele temperada com o sal do mar e, numa fração de segundos, você ainda tenta encontrar a resposta para o que aconteceu. Foi um sonho? Um pesadelo?

Um corpo desprovido de vida ao seu lado responde a sua indagação.
Ao olhar para o lado, você não vê nada senão alguns destroços, algumas caixas que pertenciam à lancha e mais alguns corpos. O desespero toma conta. A desolação e o medo tornam-se seus companheiros insofismáveis. O que vou fazer agora? – Pergunta a si mesmo.

É somente lógico que sua primeira reação, regada de esperança, seja verificar se possui algum ferimento e tentar encontrar algum sobrevivente. Essa última missão frustrada o faz ficar ainda mais desesperado. Não encontra nada além de corpos de mais algumas pessoas. Outras simplesmente desapareceram.
Desespero, tristeza e cansaço vão dando lugar à fome, às dores no corpo, ao choro copioso, ao lamento. Como você irá sair dali?

Inevitavelmente, a exploração da Ilha torna-se fator indispensável para busca de soluções, inclusive na busca de alguns suprimentos, como água e alimento. Você percebe que existe uma fonte de água e algumas frutas na ilha, mas descobre também que esse lugar é completamente desabitado.

A esperança de ser encontrado por uma equipe de buscas é alimentada pelo fato de se tratar de um desaparecimento de um barco oficial. Lógico, será uma questão de tempo até que lhe encontre – você presume – mas, até lá, você precisa de água e de comida.
Passado o trauma inicial, é isso o que você faz: procura água, coleta alguns frutos.

Percebe que alguns frutos talvez não sejam tão fáceis de serem colhidos, descascados e consumidos. Além disso, não é tão fácil coletar água. Mas encontra algumas ferramentas apropriadas entre os destroços da lancha. Elas são recolhidas e tornam-se extremamente úteis para que se possa resolver problemas frugais, mas fundamentalmente importantes de serem administrados.

Os dias passam. Os meses passam. O Tempo passa.

Você aprimora sua maneira de coletar água, coletar alimentos e constrói um abrigo cada vez mais aconchegante com os recursos disponíveis.

Anos se passaram e aquela esperança tão imaginariamente vívida deu lugar a uma realidade claramente pulsante de busca pela sobrevivência.

Talvez tudo mudará de novo com a chegada de um possível resgate. Talvez você tenha que continuar mudando diariamente para continuar vivo.

E assim se percebe a vida. Quando estamos no nosso lugar de conforto, quando temos todos os recursos pelos quais lutamos, construímos e conquistamos, quando as possibilidades para que se desenvolvam os nossos projetos e planos estão em pleno vapor, tudo parece muito simples e fácil, não é? É como se a gente estivesse numa lancha com todos os recursos que nós mesmos edificamos durante anos para poder curtir aquele momento e viver a vida que escolhemos. Mas quando um temporal avassalador arranca de nós praticamente tudo o que acreditamos possuir e não deixa sobrar nada, senão apenas uma ilha deserta com poucos recursos disponíveis, e quando a gente precisa se reinventar para sobreviver… O que será que a gente faz? Ficamos esperando, parados, desolados, desesperados e incrédulos pelo barco de resgate ou colocamos a mão na massa para construir uma nova forma de sobreviver?
Talvez descobrimos uma forma muito melhor de se viver. Paradoxalmente.

Pense nisso e seja um bom gestor.

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Sobre o autor:
Altamir Lopes, casado, nascido em janeiro de 1975, gonçalense. Graduado em Gestão de Negócios e MBA em Gestão de Pessoas, professor, palestrante, poeta, desenhista publicitário, escritor, apresentador e colunista. Por meio de poemas, contos, crônicas e “causos” do cotidiano envoltos na sociedade humana pautados, sob a problemática da GESTÃO de pessoas, seja na família, no trabalho, nas instituições em geral e também na gestão intrapessoal, o foco é levar o leitor a refletir sobre as situações ou temas  abordados, objetivando o autodesenvolvimento como META ativa de sua própria vida e de seu papel como ser humano, gestor de si. No final de cada artigo, sempre virá a reflexão: “Pense nisso e seja um bom gestor”.

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