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Edição 04: Cordel: “Ne, Necessidades Especiais como um exemplo de superação” – Suplemento Araçá

By Redação no setembro 12, 2020
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NE, NECESSIDADES ESPECIAS COMO UM EXEMPLO DE SUPERAÇÃO
Zé Salvador

Argumentação: Renato Cardoso

Deus na feitura do mundo,
sétimo dia descansou,
pois este dia era um sábado
a bíblia quem nos contou,
mas pro povo do ocidente
o dia Deus facultou.

No mérito dessa questão
têm contras e defensores
não sei dizer quem tá certo
nem quem são os infratores,
são, no caso do Diário,
voluntários instrutores.

A vida é feita em capítulos
maior parte é clandestino,
e feito cada parágrafo,
parece até desatino;
nem sempre o caminho certo,
quem escreve é o destino.

Talvez não estejas perto
dessa história aqui contada,
nem te sirvas de ensino
desse jeito apresentada,
mas presta bem atenção
como ela foi engendrada.

Foi mais um itinerante,
em que o grupo do Diário,
saiu para espalhar arte,
e foi como voluntário,
esta, é a principal regra
que tem seu estatutário.

Manhã de sábado nublada
que o grupo se reuniu,
foi fazer mais um evento,
este com os membros buliu,
pois foi a primeira vez
que da cidade saiu.

Foi num outro município,
por isto o inusitado,
neste sentido era estreia,
ninguém tava acostumado
mas tiraria de “letra”
o grupo era preparado.

Tudo tratado bem antes
fica acertado o lugar,
chegado o dia do encontro
a escola que foi buscar,
em frente ao clube Mauá
um ponto fácil de achar.

Pra ser preciso e honesto
no geral são professoras,
que vão com seus próprios carros
mas tem vez são diretoras,
feito adidas culturais
tornadas propagadoras.

Chegando a professora
Atenciosa e gentil,
deu um bom dia instigante
com sorriso senhoril,
um gesto contagiante
mostrando um lindo perfil.

A viagem foi tão rápida
uma conversa agradável,
rolou um papo de arte
na educação aplicável,
embevecendo a todos
essa conversa saudável.

Nem sentiram a viagem
o carro singrando o vento,
rapidinho assim chegaram
no local daquele evento;
um colégio bem cuidado
ganhou alma e sentimento.

Este colégio em reforma,
no seu prédio, na estrutura,
nele estava as digitais
de docentes com cultura
conhecimentos gerais
com arte e literatura.

Área nobre em Maricá,
município de ação,
na entrada o diretor
quem fez a recepção,
foi de nobreza seu gesto
vestido de anfitrião.

Alguns alunos esperam
na porta do educandário,
“todo prosa” cumprimentam
o pessoal do Diário,
que imediato responde
este gesto solidário.

O grupo saudou as tias,
profissionais da merenda,
aquelas mulheres lindas
que o lanche é uma oferenda,
feito com tanto carinho
e servidos como prenda.

A sala dos professores
foi para o grupo indicada,
seria aquele ambiente
ponto de apoio, locada,
“nosso” quartel general
pois eu tava na empreitada.

Renato arrumou na mesa
o material levado
para aquele itinerante,
ele já foi preparado,
com os prêmios do concurso
no colégio realizado.

O Diário e a UBT
numa feliz parceria
aos melhores trovadores
no evento daquele dia
para cada um contemplado
uma medalha teria.

Além daquela medalha
também seria conferido,
bonito certificado,
que o grupo havia trazido,
a cada aluno que fosse
destacado e referido.

Certificados, medalhas,
foram na mesa espalhados
por isso ficando expostos
os nomes dos premiados
assunto pra os curiosos,
foi um dos mais comentados.

Logo entra a professora
responsável pelo evento,
com os seus olhos brilhando
expressão do sentimento:
– Posso ver os contemplados?
Tô curiosa. Ô tormento!

O Diário ali presente
cada olhar um sentimento,
olhando olhos nos olhos
dando o consentimento,
e o líder daquele grupo
respondeu nesse momento:

Ora veja, como não,
nada proíbe ou impede
está tudo nessa mesa
não há motivo que vede
pode ficar à vontade
concedo o que você pede.

Deu pra ver nas atitudes,
cada olhar e manuseio
mostrava felicidade,
também mostrava receio
a cada certificado
sua caricia era anseio.

Com seu jeito carinhoso
pegando os certificados,
leu do sexto ao primeiro
os alunos laureados;
um deles calou mais fundo
com gestos modificados.

O de primeiro lugar,
claro que é deste que falo,
fez a professora rir
de nervoso e nesse embalo
todos a sentiu estranha,
com a pergunta de estalo.

Logo fez esta pergunta:
– Ele foi o ganhador?
Falou querendo saber.
sobre o grande vencedor,
nosso adido falou: – Sim,
por quê, diga por favor?

A professora parou
olhou firme pro colega:
– este aluno é NE
Deus neste “Saara” rega,
digo, Deus é bom de mais,
a sua bondade agrega
|
A mestra sai um instante
na mão o certificado,
voltando logo em seguida
coração mais abrandado,
mas se mostra inda surpresa
com aquele resultado.

Com a Pergunta réplica feita
pelo professor Renato,
a mestra logo entendeu
que a sigla NE de fato
trouxe ao grupo confusão
deu então breve relato:

NE, na educação
chamamos necessidades
especiais, quando alunos
demostram dificuldades
em acompanhar normal,
as nossas atividades.

Ouvindo essa explicação
a emoção tomou conta
do professor visitante
que sua história remonta,
vendo claro a importância
do trabalho que apronta.

Levar artes às escolas
como ensinamento prático,
fomentar isso entre os jovens
dissimulando o didático
torna assim gostosamente
esse “entrudo” muito enfático.

O grupo foi para o pátio
onde realizaria
aquele bonito evento
pois lá é que se daria
a entrega do grande prêmio,
que o Diário ali faria.

Tomou conta a ansiedade,
do professor e da gente,
no ar um certo suspense
banhava aquele ambiente,
pois o aluno premiado
se achava ainda ausente.

Eram talvez trinta alunos
num círculo feito em cadeiras,
uma algazarra comum
com sadias brincadeiras,
que tramitavam com o sério
as atitudes faceiras.

Num grupo de adolescentes
cantarolando ali perto
uma voz chama atenção,
e o professor desperto,
convida pra ir à frente
usar microfone aberto.

Houve alguma resistência
por parte da adolescente
mas insuflada por outras
e pelo grupo da gente
resolveu mostrar seus dotes,
pra todos nós, a discente.

A voz típica de menina
voz vertente como o mel
melifluamente bela
era a voz de Izabel.
Este nome é fictício,
só pra rimar meu cordel.

Não teve mais pra ninguém.
Lhe veio logo o convite
para cantar nesse evento.
É verdade, e acredite:
A menina fez bonito
soltou a voz sem limite.

Deu-se o início ao evento
mesmo faltando umas peças
o grupo com sua fala
leu poesias diversas,
e nesse espaço de tempo
notou algumas promessas.

No decorrer do evento
com alunos atrasados
chegaram alguns dos pais
pais dos nossos premiados
e também outras pessoas
creio, fossem, convidados.

O evento foi diferente
dos demais, e a plateia
ficou ali em silêncio
assistindo a boa estreia
se concentrou e atenta
ouvindo a nossa ideia.

Ficou muito claro a todos
através do nosso aviso
que as participações
de todos era preciso,
bastava um manifesto
podia ser de improviso.

A princípio a timidez
se expondo tomou conta;
tendo coragem o primeiro,
vem uma fila que monta
um bom grupo de alunos
com talento ali desponta.

Os alunos se apresentam
e fazem fluir talento
juntos com nós os poetas
ajudam tocar o evento,
com músicas ou com poemas
feitos ao sabor do vento.

Os poetas que eram membros
um a um iam passando
da importância da leitura
e da escrita iam falando
mostravam o seu trabalho,
os poemas propagando.

Quando chegou o garoto,
nosso aluno premiado,
já pela a segunda vez
Izabel tinha cantado
as duas músicas que havia
no roteiro combinado

Foi linda a apresentação
fez dois instantes bonitos,
veio então outro convite,
sem protocolos e ritos
pro sarau de lançamento
diz sim! Com a plateia aos gritos.

Nosso aluno laureado
agora estava presente
vou trata-lo por um nome,
é fictício, evidente,
por ser menor de idade
e não complicar a gente.

Um portador de NE
o nosso amigo Vicente,
todos ficam curiosos
pra saber o que ele sente
qual a sua reação
ao receber o presente.

Só mais um poeta fala
antes de se começar,
a chamar os premiados
pras medalhas entregar,
Renato fez um suspense
na hora de apresentar.

Veio do sexto ao segundo
num cronograma normal
quando chegou ao primeiro
fez um suspense total
ao falar o nome dele
foi uma ovação geral.

Os segundos de suspense
foi aquela eternidade
com um rufar de tambores
segurando a novidade
logo solta o grito preso
no rol da felicidade.

Foi o nome de Vicente
nesta hora a deidade
que Renato colocou
na vasilha da verdade
como disse a professora
era de Deus a bondade.

Esta foi a sensação
que passou pra todos nós
no burburinho depois
dava pra se ouvir a voz
dum supremo tribunal
sendo de Deus porta-voz.

Vicente ficou surpreso
não parava em seu lugar
saltitante de alegria
queria comemorar
ia de encontro ao nada
pra depois logo voltar.

Seu pai ficou tão perplexo,
pediu pra poder falar
de pronto foi atendido
paramos para escutar
com uma fala tremida
pensei que iria chorar.

Foi ligeiro em sua fala
não durou nem dois minutos
agradeceu vaidoso
valores absolutos
em dobro o pai de NE
tem orgulho de seus frutos.

Vicente diz: – vou falar,
também lhe foi concedido
ao pegar o microfone
não foi pra fazer pedido
só disse: – Esse é meu pai!
com grande orgulho sentido!

Devolvendo o microfone
estampa um baita sorriso
pegou tudo que era seu
com natural improviso
diploma medalha e cesta,
sentou em seu paraíso.

Encerramos o evento
Aceitando a gentileza
de um convite pra o almoço
com gostosa sobremesa
servidos com muito amor
pelas tias com certeza.

Com as fotos sendo feitas
aquelas tradicionais
são as fotos coletivas
feita em pedidos formais
nos despedimos do evento
que foi gostoso de mais.

Nos despedimos e fomos
pelas mãos da gentileza
devolvido às nossas casas
levando junto a certeza
de ter vivido um momento
de gigantesca grandeza.

Zum que se faz na memória
É a nossa grande verdade,
São lembranças com saudade,
Assim é sempre a história.
Leva no livro da glória
Vivência fica marcada,
Além de evidenciada,
Desfaz-se em superação;
Outorga à imaginação
Reviver tudo que agrada.

Redação

O suplemento literário Araçá é um projeto da Revista e Editora “Entre Poetas & Poesias” e foi criado com objetivo de divulgar e propagar a arte a todos os cantos do Brasil e do mundo. Um periódico cultural que nasceu para tornar o cotidiano dos leitores mais suaves com mensagens líricas, filosóficas, entrevistas, poesias, artigos acadêmicos, debates educacionais, entre outros.

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